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A IA vai sair da tela? Anthropic cria padrão para controlar máquinas físicas

Anthropic chama ex integrante da Casa Branca para lidar com IA

A Anthropic apresentou, nesta quinta-feira (27), uma nova estrutura que permite a agentes de inteligência artificial (IA) interagir diretamente com equipamentos físicos usados em pesquisas científicas e processos industriais.

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Chamado de Model Hardware Standard (MHS), o padrão estabelece uma forma compartilhada para que agentes de IA operem dispositivos programáveis, como microscópios, braços robóticos, equipamentos de laboratório, lasers e sistemas utilizados em computação quântica.

A empresa abriu uma versão de pesquisa da tecnologia para um primeiro grupo de laboratórios científicos e fabricantes avançados. A iniciativa ainda está em fase de avaliação e a Anthropic pretende trabalhar com parceiros para testar a segurança do sistema antes de disponibilizá-lo de forma mais ampla.


A proposta é permitir que agentes de IA deixem de atuar apenas no ambiente digital e passem a executar ações diretamente no mundo físico. Com o MHS, equipamentos diferentes podem se comunicar com agentes por meio de redes, desde que possuam uma interface programável.

Segundo a Anthropic, isso pode permitir que sistemas de IA coordenem equipamentos e realizem tarefas complexas com pouca intervenção humana.

De experimentos científicos a fábricas

  • Entre as aplicações previstas estão experimentos de descoberta de medicamentos, procedimentos em laboratórios e tarefas de alta precisão;
  • Um dos exemplos citados envolve a calibração de lasers utilizados em computadores quânticos. A estrutura também pode ser usada para controlar microscópios, braços robóticos e equipamentos capazes de manipular líquidos;
  • A ideia é que um agente consiga combinar diferentes instrumentos para executar etapas de um processo de pesquisa de maneira autônoma. Em vez de apenas analisar informações ou sugerir procedimentos, a IA poderia operar os equipamentos necessários para realizar o experimento;
  • A Anthropic afirma que o objetivo é ajudar pesquisadores e engenheiros a criar fluxos de trabalho autônomos capazes de funcionar continuamente, potencialmente acelerando atividades científicas e industriais;
  • A tecnologia também foi projetada para aplicações de fabricação avançada. Nesse cenário, agentes de IA poderiam interagir com máquinas e sistemas industriais programáveis para executar tarefas ou coordenar diferentes etapas de processos produtivos.

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Um padrão para conectar IA e hardware

O MHS funciona como uma especificação para padronizar a comunicação entre agentes de IA e equipamentos físicos.

De acordo com a Anthropic, o sistema pode funcionar com qualquer dispositivo que disponha de uma interface programável. Isso permite que diferentes tipos de hardware sejam integrados a agentes sem que cada equipamento precise necessariamente utilizar uma estrutura completamente diferente para estabelecer a comunicação.

Logo da Anthropic em um smartphone na horizontal
Anthropic quer que um agente consiga combinar diferentes instrumentos para executar etapas de um processo de pesquisa de maneira autônoma – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

A proposta amplia para o mundo físico uma lógica semelhante à adotada anteriormente pela Anthropic com o Model Context Protocol (MCP), criado para facilitar a conexão de modelos de IA com ferramentas, aplicações e fontes de dados.

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No caso do MHS, entretanto, a interação deixa de estar restrita a softwares e passa a envolver máquinas e equipamentos capazes de executar ações no mundo real.

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Segurança é uma das prioridades

A Anthropic não pretende disponibilizar imediatamente o padrão de forma aberta para qualquer usuário. A empresa começou compartilhando uma versão inicial do MHS com parceiros selecionados para realizar avaliações de segurança e ajudar a desenvolver a especificação.

A companhia afirma que essa etapa permitirá identificar riscos e aprimorar as medidas de proteção antes de uma eventual abertura do padrão como código aberto.

A preocupação é especialmente relevante porque um agente conectado a equipamentos físicos pode não apenas produzir informações, mas também executar ações capazes de provocar consequências no mundo real.

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Por isso, a Anthropic está tratando o período de pesquisa como uma etapa para avaliar como agentes podem operar máquinas de maneira segura e confiável.

Claude pode atuar além da tela

O novo padrão também representa uma expansão do uso do Claude, chatbot desenvolvido pela Anthropic.

Até agora, grande parte das aplicações de agentes de IA está concentrada no ambiente digital, em tarefas, como análise de informações, programação, automação de processos e interação com softwares. Com o MHS, esses agentes podem receber uma função mais próxima da de um operador de laboratório ou de uma máquina industrial, utilizando equipamentos físicos para executar tarefas planejadas.

A Anthropic vê essa integração como uma forma de ampliar o potencial da IA em áreas, como pesquisa científica, fabricação avançada, robótica e desenvolvimento de medicamentos.

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A companhia pretende continuar trabalhando com os primeiros parceiros para aprimorar o padrão e suas salvaguardas antes de disponibilizar a tecnologia de forma mais ampla.

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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Fonte: Olhar Digital

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