O grande medo da substituição, somado ao volume incessante de notícias — muitas delas exageradas — tem causado algo silencioso: paralisia.
Mas existe um antídoto para o medo: conhecimento.
E quando eu falo em conhecimento, não estou falando apenas de informação. Informação só se transforma em conhecimento quando gera impacto real, quando muda nossa forma de agir. É o conhecimento que liberta. Ele nos permite compreender a tecnologia e adotá-la com consciência, em vez de temê-la.
O problema é que muita gente está arranhando a pintura sem sequer olhar o motor.
Grande parte das publicações sobre Inteligência Artificial vem de pessoas que não conhecem profundamente a tecnologia nem suas aplicações. E como essas aplicações são praticamente infinitas, podemos dizer que ninguém domina tudo. O que existe são pessoas explorando partes desse universo — algumas especulando, outras testando de verdade.
E são justamente essas últimas que estão abrindo caminho.
Ainda são poucos os cases sólidos que mostram direção clara, mas eles existem. Enquanto muitos discutem o que é possível ou impossível, há quem esteja colocando a mão na massa, errando, ajustando e aprendendo. São essas pessoas que começam a ter uma compreensão mais próxima das possibilidades reais.
Explorar IA é como abrir a caixa de Pandora ou esfregar a lâmpada de um gênio: possibilidades infinitas também podem causar paralisia.
Eu mesmo já me peguei várias vezes parado em frente ao computador pensando:
“Por onde começo agora?”
Hoje utilizo pelo menos dez ferramentas de Inteligência Artificial contratadas. E, sendo honesto, acredito que não uso nem 1% do potencial de cada uma.
Isso me anima e me frustra ao mesmo tempo.
Mas aqui está o ponto: esse 1% já me permite produzir muito mais do que jamais produzi antes.
Tenho inúmeros cortes de vídeos verticais gerados com apoio de IA. Um desses conteúdos, publicado organicamente no meu Instagram (@julianokimura), alcançou mais de 5 milhões de visualizações. Na época, meu perfil tinha cerca de 15 mil seguidores. Esse único corte gerou mais de 74 mil curtidas e 117 mil compartilhamentos — algo que nunca havia acontecido antes na minha trajetória.
Antes, mesmo produzindo conteúdo com profundidade, era impossível para mim sozinho criar, selecionar e classificar dezenas de cortes com agilidade. Para isso, eu precisaria de uma grande equipe, mais tempo e um custo muito maior.
A IA não substituiu meu trabalho. Ela potencializou minha capacidade.
E, no meio dessa transformação, onde eu estava?
Eu estava ganhando tempo para ser humano.
Se antes eu precisava me preocupar o tempo inteiro em produzir, criar e vender, hoje essas tarefas são executadas com mais eficiência. O tempo que antes era consumido por processos operacionais agora se converte em tempo de vida.
Tenho feito mais exercícios. Participo de mais eventos presenciais. Posso estruturar um prompt e, enquanto o sistema executa uma tarefa, estar com minha família ou com amigos.
A Inteligência Artificial vai provocar uma grande mudança. Isso é inevitável.
Mas acredito que a verdadeira demanda do futuro será por humanidade real.
Quanto mais vejo notícias sobre fake news, perfis falsos e golpes potencializados por IA, mais tenho certeza de que a maior crise digital que enfrentaremos será uma crise de confiança.
E confiança não se constrói com automação.
Se constrói com presença, coerência e conexão humana.
Talvez estejamos caminhando para um movimento curioso: quanto mais digital o mundo se torna, mais valor terão as relações reais, os encontros presenciais, as trocas olho no olho.
A tecnologia pode escalar processos.
Mas só a humanidade sustenta vínculos.
E aqui deixo uma reflexão:
Se a IA pode fazer quase tudo por você, o que apenas você, como ser humano, pode fazer que nenhuma máquina consegue?
Talvez o futuro não seja sobre substituir pessoas.
Seja sobre libertá-las para serem mais humanas.
E você, está usando a tecnologia para se substituir… ou para se reconectar com sua essência?
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Fonte: AINews


