
Tudo sobre Inteligência Artificial
A crescente adoção de ferramentas de inteligência artificial (IA) tem pressionado um recurso essencial para o setor: a capacidade computacional. Nos últimos meses, empresas do segmento passaram a enfrentar limitações na oferta de processamento, afetando produtos, usuários e a confiabilidade de serviços.
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As informações são do jornal norte-americano The Wall Street Journal. O cenário ocorre em meio à expansão acelerada de soluções baseadas em IA, especialmente as chamadas ferramentas “agentic”, capazes de executar tarefas de forma autônoma. Com mais usuários recorrendo a esses sistemas para aumentar a produtividade, a demanda por infraestrutura cresceu em ritmo superior à capacidade de oferta das empresas.
Falta de capacidade pressiona empresas e usuários
A escassez de recursos computacionais já provoca impactos diretos. Empresas têm limitado o uso de seus serviços, enfrentado instabilidades e até cancelado projetos. Em alguns casos, usuários relatam dificuldade para acessar ferramentas ou atingir limites de uso mais rapidamente do que o esperado.
Um dos principais gargalos está nos chamados tokens, unidade que mede o consumo de processamento em tarefas de IA. Segundo o engenheiro e investidor Ben Pouladian, a escassez desse recurso se tornou central no setor, à medida que a tecnologia deixou de ser usada apenas para tarefas simples e passou a coordenar processos mais complexos.
Esse tipo de desequilíbrio entre oferta e demanda não é inédito na indústria de tecnologia. Situações semelhantes já ocorreram em outros ciclos de expansão, quando a infraestrutura não acompanhou o crescimento acelerado do uso.
GPUs mais caras e infraestrutura limitada
A pressão também se reflete nos custos. O aluguel de GPUs, chips usados para treinar e operar modelos de IA, registrou alta significativa desde o segundo semestre do ano passado. Dados de mercado indicam aumento expressivo nos preços, especialmente para os modelos mais avançados.
Um exemplo é o custo por hora de chips da linha Blackwell, da Nvidia, que subiu de US$ 2,75 para US$ 4,08 em cerca de dois meses, uma alta de 48%. Além disso, empresas como a CoreWeave reajustaram preços em mais de 20% e passaram a exigir contratos mais longos de clientes menores.

A expansão da infraestrutura também enfrenta barreiras. O tempo necessário para construir novos data centers e garantir fornecimento de energia tem limitado a capacidade de resposta das empresas. Segundo executivos do setor, a disponibilidade de energia já está comprometida até 2026.
Instabilidades e mudanças estratégicas
A falta de capacidade tem impactado diretamente a operação de serviços. A Anthropic, responsável pelo chatbot Claude, registrou falhas frequentes e passou a limitar o uso de tokens em horários de pico. A medida gerou reclamações de usuários, que afirmam atingir os limites mais rapidamente.
Dados indicam que a disponibilidade da API da empresa ficou em 98,95% nos últimos 90 dias — abaixo dos níveis considerados padrão em serviços críticos de internet, que costumam operar próximos de 99,99%.
As dificuldades também levaram empresas a rever estratégias. A OpenAI, por exemplo, teria interrompido o desenvolvimento do aplicativo de geração de vídeo Sora para priorizar recursos computacionais voltados a produtos corporativos e de programação.
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O crescimento da demanda pode ser observado no uso da API da OpenAI, que saltou de 6 bilhões para 15 bilhões de tokens por minuto entre outubro e março.
Executivos do setor reconhecem o desafio. A diretora financeira da OpenAI, Sarah Friar, afirmou que a empresa tem tomado decisões difíceis sobre quais projetos seguir, diante da limitação de capacidade disponível.
Crescimento acelerado agrava cenário
Mesmo com os desafios, empresas continuam registrando expansão acelerada. A Anthropic, por exemplo, viu sua receita anual projetada saltar de US$ 9 bilhões no fim de 2025 para US$ 30 bilhões poucos meses depois.
Esse crescimento intensifica a pressão sobre a infraestrutura, criando um cenário em que a demanda por poder computacional segue em alta, enquanto a oferta avança de forma mais lenta.

Ana Luiza Figueiredo
Ana Figueiredo é repórter de tecnologia do Olhar Digital. É formada em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
Fonte: Olhar Digital