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Tudo sobre Inteligência Artificial
Executivos das maiores empresas de tecnologia e integrantes do governo de Donald Trump pressionaram autoridades de outras grandes economias a reduzir a regulamentação sobre inteligência artificial (IA) durante um encontro do G20 realizado nesta semana nos Estados Unidos.
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O argumento apresentado pelos empresários e representantes da administração estadunidense é que regras muito rígidas podem limitar uma indústria com potencial para impulsionar o crescimento econômico mundial, acelerar avanços tecnológicos e até contribuir para a cura de doenças.
Jensen Huang, CEO da Nvidia; Sam Altman, da OpenAI; Mark Zuckerberg, CEO da Meta; e Elon Musk, da Tesla e da SpaceX, estiveram entre os participantes de um encontro do G20 dedicado à inovação e tecnologia.
O grupo defendeu uma abordagem menos restritiva para a IA e alertou que regulamentações agressivas poderiam limitar os benefícios proporcionados pela tecnologia.
A posição foi reforçada pelo secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick; pelo assessor da Casa Branca para IA, David Sacks; e por Michael Kratsios, diretor do Escritório de Política de Ciência e Tecnologia da Casa Branca.
Segundo os representantes do governo Trump, a estratégia de regulamentação mais leve adotada pelos Estados Unidos já estaria contribuindo para o crescimento da economia.
Jensen Huang pede foco em danos reais
Durante o encontro, Jensen Huang pediu aos representantes dos países do G20 que evitem criar regras baseadas em riscos hipotéticos. “Não regulamentem danos hipotéticos e teóricos. Regulamentem danos reais e pragmáticos”, afirmou o executivo.
Huang também argumentou que os próprios avanços tecnológicos estão tornando os sistemas de IA mais seguros. Segundo ele, técnicas, como o treinamento avançado de modelos, que permite aumentar a precisão dos sistemas, podem contribuir mais para a segurança da tecnologia do que algumas das regulamentações propostas pelo governo de Joe Biden e por outros países.
Após a fala do executivo, autoridades de diferentes países fizeram fila para tirar fotos com Huang, que se tornou uma figura de destaque mundial com a expansão da Nvidia durante o atual boom da IA.
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“O presidente Trump está comprometido em garantir que os Estados Unidos liderem em IA e levem o ecossistema americano de IA para todo o mundo, aos nossos parceiros do G20”, afirmou Lutnick em entrevista coletiva.
As discussões no campus da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill (EUA), ocorreram depois de incidentes envolvendo modelos de IA da OpenAI e da Anthropic utilizados em ataques contra outras organizações.
Os episódios reforçaram a percepção sobre a velocidade dos avanços na área e aumentaram as preocupações com segurança.
Nesta semana, o senador Bernie Sanders, independente de Vermont (EUA), chegou a defender uma pausa global no desenvolvimento de IA.
Ao mesmo tempo, dezenas de estudantes e ativistas locais realizaram um breve protesto do lado de fora do evento. A manifestação fez parte de reação crescente à construção de data centers necessários para alimentar a expansão da IA nos Estados Unidos.
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O condado que sediou o encontro aprovou recentemente uma moratória de um ano para novos data centers. Dezenas de outras localidades estadunidenses adotaram medidas semelhantes nos últimos meses, motivadas por preocupações com o consumo excessivo de energia e água dessas instalações.
Lutnick criticou esse tipo de restrição. “É desinformação, e, ao estabelecer uma moratória sobre data centers, isso significa que o próximo conjunto de oportunidades simplesmente não irá para vocês”, afirmou o secretário, referindo-se a estimativas que considera enganosas sobre o alto consumo de água dessas estruturas.
Governo Trump aumentou supervisão, mas evita regras obrigatórias
Apesar da defesa de uma abordagem de pouca regulamentação, o avanço dos modelos mais poderosos de IA também levou o governo Trump a aumentar a supervisão sobre a indústria. A administração afirma estar adotando a abordagem menos restritiva possível.
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O governo começou a analisar algumas das ferramentas mais poderosas antes de seu lançamento e chegou a suspender temporariamente dois modelos da Anthropic em junho devido a preocupações de segurança.
Empresas, como a OpenAI, também passaram a adicionar novas camadas de segurança para evitar incidentes e começaram a lançar determinados modelos de maneira gradual depois dos episódios envolvendo seus sistemas.
A Casa Branca, porém, não adotou regulamentações obrigatórias para testes antes do lançamento. Em vez disso, defende que os testes de segurança sejam realizados voluntariamente pelas empresas.

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EUA tentam impedir avanço de modelos chineses
A disputa regulatória também está ligada à competição tecnológica entre Estados Unidos e China. Além de tentar atrair usuários para seus próprios modelos, os Estados Unidos vêm incentivando outros países a não adotarem alternativas chinesas mais baratas.
A China busca ampliar a utilização de seus modelos de menor custo e criar dependência em torno dessas ferramentas. Estados Unidos e China devem discutir cooperação global em IA ainda neste mês, durante conversas que também deverão envolver Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping.
Kratsios e Lutnick se reuniram com autoridades chinesas durante o encontro do G20. A China também assinou, junto a outros países do grupo, um conjunto de princípios amplos de inovação.
Empresas chinesas lançaram nas últimas semanas modelos de IA poderosos com pesos abertos, permitindo que usuários baixem os parâmetros numéricos que determinam o comportamento dos sistemas.
A possibilidade de restringir o acesso a essas ferramentas passou a ser considerada por integrantes da administração Trump devido a preocupações de segurança.
Executivos, como Zuckerberg e Huang, entretanto, se opõem a esse tipo de restrição. Para eles, ampliar o acesso às ferramentas de IA pode ser justamente uma maneira de fortalecer os sistemas de segurança. “Além do que nós mesmos lançamos, somos grandes defensores de que o código aberto não seja algo que as pessoas tentem restringir ou bloquear”, afirmou Zuckerberg.
Musk prevê impacto de até 30% na economia mundial
Elon Musk também defendeu uma regulamentação mínima para estimular a inovação e criticou o sistema regulatório europeu, diante de autoridades do continente presentes no encontro.
Segundo Musk, a IA poderá aumentar o tamanho da economia mundial entre 20% e 30%. O executivo relacionou esse impacto à expansão do uso de robôs equipados com IA em diferentes setores da economia.
Além de Musk, Huang, Zuckerberg e Altman, participaram do encontro Alex Karp, CEO da Palantir, e Tom Brown, diretor de computação da Anthropic.
Altman e Hassabis defendem padrões globais
Apesar do consenso entre os participantes sobre os riscos de uma regulamentação excessivamente rígida, alguns executivos destacaram a necessidade de estabelecer padrões internacionais para a IA.
Sam Altman e Demis Hassabis, cientista-chefe da Alphabet, controladora do Google, estiveram entre os poucos executivos presentes a mencionar a necessidade de padrões e mecanismos globais de supervisão para enfrentar riscos relacionados à cibersegurança e outros possíveis danos causados pela tecnologia.
Os dois, porém, afirmaram que essas ameaças não justificam regulamentações rígidas capazes de restringir o acesso à IA. “Seria aproximadamente tão ruim dizer ‘não vamos ter IA em nosso país’ quanto foi dizer ‘não vamos ter eletricidade em nosso país’ há mais de 100 anos”, afirmou Altman.
Os encontros em Chapel Hill ocorreram na mesma semana das reuniões dos ministros das Finanças do G20 e fazem parte da preparação para a cúpula de líderes do grupo, que será realizada em Miami (EUA) ainda neste ano.

Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
Fonte: Olhar Digital